Política 09/03/2013

Quem sai perdendo

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Decisões absurdas não são artigo propriamente raro nas casas parlamentares, mas desta vez Câmara e Senado capricharam. Na primeira, o pastor Marco Feliciano (PSC-SP) foi eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos. O sujeito é acusado de homofobia, racismo e foi flagrado em vídeo coagindo o fiel que já doara o cartão de crédito a fornecer também a senha. E – surpresa? – é ainda réu no Supremo Tribunal Federal por estelionato. Na segunda Casa, foi eleito para a Comissão de Meio Ambiente o magnata da soja Blairo Maggi (PR-MT), agraciado com o “prêmio” Motosserra de Ouro, do Greenpeace. Claro que é ruim para as áreas de meio ambiente e direitos humanos que gente com esse currículo ocupe essas cadeiras. Afinal, as comissões são responsáveis por analisar os projetos relacionados a ambos os assuntos. Mas, a rigor, convenhamos que os últimos anos não têm sido marcados propriamente por avanços legislativos para esses setores. No caso da área ambiental, dá-se até o contrário: retrocesso. De modo que o maior derrotado nessa história é o Congresso Nacional. Se boa parte da população já acha que o exótico edifício no meio da Esplanada não serve de coisa nenhuma, os parlamentares fornecem argumentos extras para concordar com essa perspectiva.


PT SE FAZ DE DOIDO

O PT ficou indignado com a escolha do pastor Feliciano (foto), mas o fato é que o PSC só comanda a Comissão de Direitos Humanos porque o partido abriu mão da cadeira que lhe era de direito. Os petistas priorizaram outras áreas e o acordo levou o PSC a espaço tido como estratégico para a esquerda – ao menos no passado. O partido deu mais importância a colegiados mais estratégicos para o governo Dilma Rousseff que para aqueles que teriam mais relevância para a sociedade. Não deixa de ser legítimo para quem está no poder, mas é uma opção política a ser assumida.

 

POVO PERDEU DOS DOIS LADOS

Questionada pelo repórter Carlos Mazza sobre as condições ridículas em que inaugurou o Cuca da Regional VI, ainda pela metade, a ex-prefeita Luizianne Lins (foto) respondeu atacando. E mencionou o Hospital Regional em Sobral, inaugurado em janeiro, mas que não funciona até hoje e já exigiu reparos; o Castelão, que só recebeu partida de futebol um mês após inaugurado; e o Centro de Eventos, que também teria sido inaugurado incompleto, segundo disse. O argumento de Luizianne serve para a batalha política com o governador Cid Gomes (PSB), mas não explica nada para a população. Obras inauguradas pela metade e sem funcionar são absurdas em qualquer parte: seja na Prefeitura ou no Estado, independentemente de quem realizou. Cid errou, sim, mas isso não justifica o equívoco de Luizianne. Para além da briga política, o resultado é que o povo perdeu dos dois lados.

O que remete a frase célebre do escritor americano Henry Louis Mencken: “Sob a democracia, um partido dedica suas principais energias à tentativa de provar que o outro partido é incompetente para governar, e ambos conseguem e ambos estão certos”. No Ceará, então...


O IMPACTO DOS GRANDES EMPREENDIMENTOS

A coluna de quinta-feira tratou do ritmo do crescimento do Ceará. No último dia 1º, havia abordado as dúvidas em relação à instalação da refinaria, empreendimento que, nas regiões desenvolvidas, remontam há mais de um século atrás. Mas, no Ceará, ainda está no centro da estratégia de desenvolvimento. Mais ou menos como se o Ceará esperasse para os próximos anos a chegada da Revolução Industrial, na esperança de que tenha agora o mesmo impacto obtido pelas nações que trilharam esse caminho no século XIX. Sobre o assunto escreveu o leitor Samuel Portela Vidal. Ele lembrou que o próprio governador Cid Gomes citava que, para ter peso na economia correspondente ao tamanho da parcela da população que representa, o Estado precisava atingir participação de 4,4% no PIB brasileiro, conforme a coluna abordou quinta. E que, para acelerar esse processo, talvez até o fim da década, a siderúrgica e a refinaria seriam as principais apostas. Chegou-se a falar em aumento de 50% do PIB. Mas Vidal traz alguns dados para atestar que o impacto deve, realmente, ser bem menor. Primeiro, considera que não se pode levar em conta nesse cálculo o PIB atual, mas o de daqui a alguns anos, quando e se o empreendimento for efetivamente concretizado. Até lá, a economia seguirá crescendo, espera-se. E, portanto, o potencial impacto dos investimentos diminuirá gradualmente.

 

Ele destaca ainda que a Agência Estadual de Planejamento e Pesquisas de Pernambuco fez recentemente estudo para quantifica o impacto de investimentos que por lá se instalam. A refinaria Abreu e Lima, por exemplo, tem efeito estimado de 13% na economia pernambucana. As dimensões do empreendimento são pouco menores que a da refinaria prevista para o Ceará. Já o tamanho da economia de Pernambuco é um pouco maior. Ainda assim, trata-se de bom parâmetro para perceber que as otimistas projeções cearenses podem estar bem superestimadas.

 

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espaço do leitor
Cláudio 10/03/2013 11:50
Esta da Revolução Industrial foi ótima, ainda sonhamos com parâmetros de séculos atras...
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JUSTINO RICARDO CABRAL GOIANA 09/03/2013 14:22
Acrescento a brilhante explanação do jornalista Érico Firmo, o seguinte ponto de vista. Era de interesse há muito tempo da bancada ruralista da câmara, ter nas suas mãos a Com. de DH além da Com. de M.A. Pois, retiraria do seu caminho o principal imbróglio para aprovação de seus PL de interesse.
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Eudes Baima 09/03/2013 09:00
Mas o pastor pode ficar tranquilo quanto ao Supremo. Feliciano não é o tipo de réu do gosto deles não. Vai ficar por isso mesmo...
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