Fábio Campos 22/03/2012

Por enquanto, a saída é o aeroporto

"Com a internet e o acesso de um público mais amplo às viagens internacionais, descobrimos que o Brasil é um País caro"
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Na década de 1990, o Brasil derrotou a inflação e estabilizou a economia. Enfim, o País estabelecia as condições para a “chegada” do capitalismo, onde a produção e o consumo (não o Estado) são os motores da economia.

 

Lembram-se de Luís Inácio da Silva no Natal de 2008? Em rede nacional de TV, o presidente de esquerda pediu aos brasileiros que consumissem, consumissem e consumissem. Foi o inteligente antídoto para se proteger da crise internacional.


Mas, qual o preço do consumo no Brasil? Com a internet e acesso de um público mais amplo às viagens internacionais, descobrimos que o Brasil é um país caro. Muito caro.


O pior é que, na mesma proporção, os estrangeiros estão descobrindo que o Brasil é um país caríssimo. Ou seja, o imenso esforço para criar infra-estrutura e estabelecer políticas para atração de turistas estrangeiros é boicotado pelos altos preços praticados no País.


Recentemente, li uma reportagem mostrando as reclamações do pessoal (jornalistas, mecânicos, técnicos e burocratas) que acompanha a etapa da Fórmula 1 no Brasil em relação aos exorbitantes preços nos restaurantes de São Paulo.


Quem tem a oportunidade de viajar a turismo conclui rapidamente que há algo de errado na economia do Brasil. Um prato de bacalhau em um bom restaurante de Nova York custa R$ 40. Em Fortaleza, em um restaurante com padrão bem inferior, não sai por menos de 80 reais.


As imensas diferenças de preços se estendem a todos os setores de consumo. Além de afastar o turista estrangeiro, o alto preço das mercadorias no Brasil tornou fértil o campo para germinar duas pragas deletérias e criminosas: o contrabando e a pirataria.


É evidente que o fator câmbio, o valor da moeda brasileira em relação às estrangeiras, explica uma parte do problema. Mas, mesmo que o valor de 1 dólar fique em dois reais, o que é considerado razoável pelos especialistas, ainda será um bom negócio comprar fora do Brasil e um péssimo negócio comprar aqui.


Vamos comparar com os EUA, o país que mais tem se beneficiado com as viagens dos brasileiros. Lá, as relações de consumo e a qualidade dos produtos são bastante superiores aos do Brasil. Junte-se a isso o melhor preço e está feito o caldo que empurra os brasileiros para a rota norte e torna o Brasil antipático aos estrangeiros.


Mas, o que explica as diferenças gritantes nos preços dos produtos no Brasil? Primeiro, é claro, os impostos. No Brasil, 42% do valor de um carro, por exemplo, vai para os cofres do Governo. Nos Estados Unidos, somente 20%.


Nos EUA e em quase todos os países do mundo há um imposto específico para o consumo. No nosso Brasil varonil, são seis impostos que incidem sobre a mercadoria em efeito cascata.


O fato é que a conta não é boa para o Brasil. O acesso aos bens de consumo atesta o grau de desenvolvimento de uma nação. Se o preço for razoável para o brasileiro, será muito atraente ao estrangeiro, viabilizando a nossa indústria do turismo.


Certamente, está aí uma reforma a se fazer no Brasil. Quem sabe, assim o capitalismo chega inteiro por cá.

Fábio Campos fabiocampos@opovo.com.br
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espaço do leitor
Aquiles Melo 25/03/2012 11:44
Interessante, mas devemos lembrar que o problema do Brasil, além dos impostos, são as altas taxas de lucro praticados por nossa burguesia. Lembremos que mesmo retirando todos os impostos que incidem sobre um veículo, por exemplo um Corolla, este ainda custará muito mais do que um comprado fora.
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Samuel Vidal 24/03/2012 22:39
Os impostos encarecem os preços mas o principal fator é "a doença brasileira", as nossas commodities agrícolas e minerais apreciam o câmbio como o petróleo aprecia em outros países. Isso sufoca a nossa produção industrial e torna os nossos serviços e produtos muito caros em relação ao mundo.
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