ana miranda 24/03/2013

Esperanto, lingwe universala

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Bonan Tagon, princesa! Kiel vi fartas? Dona Lúcia andou me ensinando sobre o esperanto, ela é uma esperantista, sabe falar esse idioma e seus olhinhos brilham quando aparece o assunto. Vamos trinki um suco de graviola? O nome da língua é bonito, lembra esperança, a fé de se conseguir aquilo que se anseia. Quem pode viver sem esperanças? A esperança do esperanto é ser uma língua que possa unir todos os povos do mundo, sem impor nenhuma língua específica e sem carregar nenhuma cultura em si, que não a cultura do entendimento universal. Uma lingwe universala. Representa um sonho humano.

 

Dona Lúcia contou que o esperanto forma uma fraternidade. Quando jovenzinha esteve no Rio, ela encontrou esperantistas que se tornaram seus amigos, e muito a ajudaram. Falavam em esperanto, riam em esperanto. Mostrou fotos de um grupo de esperantistas, ela bem ali, se sentindo em casa. Isso confirma a exclamação de Fernando Pessoa, e depois, de tantos outros: Nossa pátria é nossa língua. Imagine você estar na Mongólia, ou no Irã, ou na Noruega, andando de aldeia em aldeia, sem entender uma só palavra do que dizem, e de repente alguém fala português! Jorge Luís Borges comenta sobre isso, em como se sentia em casa no México, onde todos falavam a sua língua e todos se entendiam. Assim como Borges no México, nós nos sentimos em casa quando estamos em Portugal, no Timor Leste, na Ilha de São Tomé e Príncipe, em Angola, Moçambique... Ili parolas português!

 

O esperanto é uma língua artificial, como o braile, a taquigrafia ou o código Morse; não surgiu naturalmente no cotidiano de um povo, não foi um povo que criou uma língua, mas uma língua que criou um povo. Esse povo é unido não apenas pelo conhecimento de uma língua sem país, mas pelo que ela representa, que é a vontade de entendimento por meio de uma fala simples e fácil de incorporar. Esperantas estas lingvo tre facila. Doctoro, floro, hospitalo, amo, birdido... En florvazo estas belafloro. Ela tem uma base românica, o que facilita para nós, que usamos língua latina. Mas incorpora comportamentos de mais de cem línguas do planeta. Simpla, flexebla, belsona.

 

Não é uma língua para substituir outras línguas, mas para ser uma segunda língua, que possa ser compreendida mesmo pelos que usam o cirílico, as letras solares e lunares do alfabeto árabe, ou ideogramas. A imposição é o alfabeto. Há certa cautela para o uso de novas palavras, assim como as outras línguas o esperanto evolui e procura seguir as mudanças das épocas. Uma comissão examina cada palavra a ser incorporada, e exclui qualquer sentido específico de uma cultura. Incorpora computador, mas não mandacaru. Assunto espinhoso... O inglês tem se tornado cada vez mais uma língua universal, mas como imaginar, por exemplo, os árabes tendo de aprender inglês para se comunicar com o mundo? O inglês, como o francês, português e qualquer língua ou dialeto, carrega o modo de ser do povo que usa a língua. Interessante e bem atual é a ideia do esperanto, num mundo de guerras linguísticas e culturais, em que cada país tenta preservar, ou impor, a sua expressão.

 

O esperanto nasceu de um desentendimento, disse dona Lúcia. Um adolescente russo-polonês do século 19 vivia numa região onde se falavam muitas línguas, o que criava dificuldades cotidianas de comunicação, e ele teve a ideia de inventar uma língua que fosse neutra. O pai ficou preocupado com a obsessão do jovem, e o mandou para Moscou, a fim de estudar medicina. Quando voltou, o rapaz descobriu que o pai havia queimado seus manuscritos do idioma. Reescreveu tudo e, mais maduro, fez a língua evoluir. O nome dele era Zamenhof. Em 1887 foi publicada a primeira gramática de esperanto. Havia outro idioma com o mesmo sentido, o volapük, mas o esperanto foi predominando, aos poucos, e se espalhando pelo mundo por meio de outras edições de Unua libro, indo até o Japão, à China, aos países árabes, americanos, aos lugares mais distantes. No Brasil, o primeiro grupo de esperantistas foi o Suda Stelaro, em 1909. Tomava tanta força, que nas guerras mundiais o esperanto foi perseguido por Hitler e Stálin, que mandavam matar os esperantistas. A família de Zamenhof foi assassinada. No Japão a perseguição aos esperantistas também era de proporções assombrosas. Por quê? O medo do entendimento mundial, na cabeça belicista de ditadores, e em culturas lacradas. Hoje, de todas as línguas planejadas, é a mais falada no mundo. Bem... La suno forte brilas. Adiau! Cion bonan al vi! Gis morgau!

Ana Miranda S/ Email
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Ivan Colling 26/03/2013 19:59
Excelente artigo! Sou professor de esperanto no Centro de Línguas e Interculturalidade da Universidade Federal do Paraná e faço pós-graduação em Interlinguística em Poznan, Polônia. Este curso de pós-graduação já existe há 15 anos e funciona totalmente em esperanto. Parabéns à Ana Miranda!
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Ivan Colling 26/03/2013 19:58
Excelente artigo! Sou professor de esperanto no Centro de Línguas e Interculturalidade da Universidade Federal do Paraná e faço pós-graduação em Interlinguística em Poznan, Polônia. Este curso de pós-graduação já existe há 15 anos e funciona totalmente em esperanto. Parabéns à Ana Miranda!
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Ivan Colling 26/03/2013 19:58
Excelente artigo! Sou professor de esperanto no Centro de Línguas e Interculturalidade da Universidade Federal do Paraná e faço pós-graduação em Interlinguística em Poznan, Polônia. Este curso de pós-graduação já existe há 15 anos e funciona totalmente em esperanto. Parabéns à Ana Miranda!
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Ivan Colling 26/03/2013 19:58
Excelente artigo! Sou professor de esperanto no Centro de Línguas e Interculturalidade da Universidade Federal do Paraná e faço pós-graduação em Interlinguística em Poznan, Polônia. Este curso de pós-graduação já existe há 15 anos e funciona totalmente em esperanto. Parabéns à Ana Miranda!
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Jozefo Lejch 26/03/2013 08:38
Parabéns, Ana Miranda! Com entusiasmo li seu belo artigo sobre nossa cara Língua da Paz. Como coordenador do Curso de Esperanto da Universidade Federal do Ceará, já "recortei" seu texto para nossos alunos. Dankon!
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